abril 15, 2010

FW: Aldo Rebelo o inimigo das florestas!

PARA REFLETIRMOS SOBRE A NATUREZA



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13 de Abril de 2010 Olá, Maria
Ajude-nos a proteger as florestas
O Código Florestal, corpo de leis que protege as florestas brasileiras desde 1934, está mais uma vez ameaçado. O deputado Aldo Rebelo irá apresentar em breve um documento com as propostas de alteração dessas leis. E tudo indica que as mudanças vão anistiar desmatadores e reduzir a proteção de nossas matas.
Mande um e-mail para o Aldo Rebelo dizendo que a questão é relevante demais para ser decidida apenas por meia dúzia de deputados em um ano de eleições.

Ajude a impedir que as nossas florestas continuem a ser devastadas. Assine a petição.

Famosos se unem contra Belo Monte
Cerca de 600 pessoas juntaram suas vozes para gritar contra a construção da usina de Belo Monte. Por mais de cinco horas, o grupo marchou pela esplanada dos ministérios entoando gritos de guerra contra a obra que pode significar o fim da vida de muita gente que depende do Rio Xingu. Boa parte da energia que manteve o ânimo de quem esteve no ato veio da presença de James Cameron, diretor do filme "Avatar", junto a dois atores que nele trabalharam, Sigourney Weaver e Joel David Moore. Também esteve no ato o ator brasileiro Victor Fasano. Assista ao vídeo
Frigoríficos pedem prazo maior
Os grandes frigoríficos brasileiros apresentaram resultados menores do que o acordado no mapeamento de seus fornecedores na Amazônia. As empresas pediram mais três meses para completar o trabalho. Apesar disso, mostraram avanços significativos nos últimos seis meses e reiteraram o interesse em não permitir que o desmatamento continue manchando a sua cadeia de produção. Saiba mais.

Quer entender melhor? Baixe o relatório "Farra do Boi na Amazônia" em Publicações na Área de Colaboradores.
Contra o contrabando de carne de baleia
Ativistas amarrados às cordas de um navio pesqueiro em Rotterdam, na Holanda, evitaram o envio de carne de baleia contrabandeada para a Islândia, com destino final era o Japão. Graças ao protesto vitorioso as autoridades concordaram em confiscar os sete contêineres com 160 toneladas de carne de baleia fin, também conhecida como baleia-comum. Saiba mais.

Você se lembra dos japoneses Junichi Sato e Toru Suzuki? Ainda dá tempo de ajudar nossos ativistas injustiçados por defenderem as baleias, basta assinar a petição.

Mantenha os seus dados sempre atualizados pelos telefones (11) 3035-1151 ou (11) 3035-1159, (das 9h às 18h), pelo fax (11) 3817-4600 ou pelo email relacionamento@br.greenpeace.org
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abril 11, 2010

HARMONIA: o uso ideológico dessa expressão para manipular pessoas

Todo mundo já sabe que, qualquer mentira repetida incessantemente, torna-se uma verdade quase absoluta e irreversível, arrebatando seguidores incautos que carecem de um apurado senso crítico. Por isto, queremos aqui refletir sobre a tão "famigerada" harmonia que alguumas pessoas preconizam. Para tal, desejamos primeiro definir os termos:
Harmonia na mitologia grega, é a deusa da harmonia e da concórdia. Filha de Afrodite e Ares, e esposa de Cadmo, seria originária da Samotrácia, onde ela e Cadmo acabaram sendo transformados em serpentes(1). Aqui já podemos intuir que o mito insinuando a Harmonia transformada em serpente, além de ser filha do deus da guerra com a deusa grega da beleza e do amor. Em música, a harmonia é o campo que estuda as relações de encadeamento dos sons simultâneos (acordes). ...(2) porém a harmonia, na música, não se faz em sons iguais e do mesmo tom, mas da consonância oriunda dos acordes diferenciados.

No Brasil, a Carta Magna de 1824 trouxe a divisão e a harmonia dos poderes políticos como o princípio conservador dos direitos dos cidadãos e o mais seguro meio de fazer efetivas as garantias que a Constituição oferta. A esses Poderes tradicionais, o Legislativo, o Executivo eo Judiciário acrescia o Moderador (3) D. Pedro I, em sua Constituição outorgada (imposta, não votada, mandada escrever por ele após ter fechado a Assembléia Nacional Constituinte porque os legisladores escreveram uma Constituição dando mais poderes ao Congresso que a ele) criou um quarto Poder, o Poder Moderador, que centralizava os Poderes em suas mãos, podendo ele comandar, através deste Poder Moderador, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Lembrando que ele fez tudo isso tendo como Princípioa HARMONIA dos poderes políticos.
Muita gente por aí prega o princípio da harmonia como uma deslealdade, como uma forma de manipular as pessoas, de excluir pessoas que não estejam na sua "harmonia", uma maneira de dizer: eu sou harmônica, você não é, ou, eu sou dfa paz, você é da guerra, ou eu sou do bem e você que questiona, critica e tem dúvidas, é do mal. Aceite o que eu quero, ajuste-se ao meu poder, senão...
Os militares sempre usaram essa expressão para manipular as massas enquanto prendiam estudantes e professores, exilavam deputados e senadores, torturavam jornalistas e os enforcavam nos cárceres. Enquanto isso acontecia nos bastidores, na telinha constava o frenesi da copa de 70,por exemplo, "noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração. Todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção..."O pior de tudo é que a ditadura militar acabou em 1985 mas seu ranço, seu fedor, seu cheiro de porrete e sangue ainda dá pra sentir perto de muita gente e dentro de muitas instituições, como presídios, sanatórios psiquiátricos, delegacias e até escolas. Não que nas escolas se torture, não, não fisicamente. Nas escolas a tortura é psicológica. Nos Projetos pedagógicos fala-se em cidadania, nos planos decenais fala-se em cidadania, nos planos de curso lá está novamente a cidadania; mas nem sempre a cidadania está de acordo com a "harmonia" dos diretores, coordenadores, supervisores, professores e até funcionários pois quando se quer orientar os estudantes para que eles se organizem em grêmios estudantis, lá estarão muitos destes acima citados, fazendo discurso em nome daharmonia e do bem-estar da sociedade, contanto que só eles possam reivindicar , ter autonomia e dar ordens.
Por falar em autonomia, temos discutido também essa questão dos conceitos Piagetianos :AUTONOMIA VERSUS HETERONOMIA com nossos alunos. Vamos pensar, refletir, aliás, como diz Lya Luft em sua famosa crônica - pensar é transgredir -
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano.

A heteronomia considera que certo é o cumprimento da regra e qualquer interpretação diferente desta não corresponde a uma atitude correta. Temos sido submetidos a uma educação que nos torna seres passivos diante dos acontecimentos e submissos a qualquer um que se imponha e mostre poder sobre nós. Temos idéias e condutas uniformes, como nos fala Rubem Alves:
Educação é isto: o processo pelo qual os nossos corpos vão ficando iguais às palavras que nos ensinam. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim. Como disse Fernando Pessoa: ‘Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim’
(4)
Essa é a educação que muitos defendem na prática, embora no discurso estejam preconizando outros valores distintos, mas quando começam a dizer "devemos incentivar a cidadania ... mas..." esta aí a prova cabal de não conseguirem camuflar, esconder seus verdadeiros medos, suas insuficiências, suas incapacidades de lidar com o novo, com o desconstrutor, com o questionador.

Autonomia é autogoverno, é “a submissão do indivíduo a uma disciplina que ele próprio escolhe e a constituição da qual ele elabora com sua personalidade” (Piaget, 1998).

Por que a escola tem medo dessa autonomia? Por que os Diretores fazem de tudo para impedir a organização dos Grêmios Livres nas escolas? O que temem?

Por que os professores, com seu sindicato tão forte, apóiam esses diretores?

Por que os funcionários, tão oprimidos dentro das escolas (muitas vezes, por esses mesmos diretores,), desrespeitados, vilipendiados, não apóiam a organização estudantil e se enchem de mas e poréns para defender um direito tão legítimo e legal dos discentes?

Concluindo, ao longo desses 30 anos de jornada pedagógica, vimos encontrando a palavra harmonia no discurso de diretores, secretários de educação, políticos em geral, e até de professores como uma forma de encobrir os conflitos, jogar o lixo pra debaixo do tapete, e dizer: obedeçam e tudo permanecerá em harmonia; preservem a harmonia; sejam harmônicos.

O maior valor dentro da escola deve ser a preservação da dignidade humana. A escola não pode mandar de volta pra casa o aluno que está calçado numa sandália de dedo, ou vestido numa calça jeans; a aula é pra ele, não para a sandália ou para a calça. Este aluno precisa conhecer a lei e precisa estar organizado no movimento estudantil para que possa, então, exercer a cidadania em sua plenitude, protegendo-se, protegendo uns aos outros, desenvolvendo o espírito de solidariedade, amizade. Quando alguém deseja, dentro de uma escola, mandar uma mesma turma para lá e para cá, sem nenhum respeito a aqueles discentes e eles resolvem não obedecer, isto não é baderna, isto é ORGANIZAÇÃO, SOLIDARIEDADE, AMIZADE. Por que querem puní-los? Por causa da Harmonia?

Referências

1 - (http://pt.wikipedia.org/wiki/Harmonia_(mitologia)

2 - pt.wikipedia.org/wiki/Harmonia_(música

3 - (http://www.google.com.br/search?q=A+hist%C3%B3ria+da++harmonia&hl=pt-BR&sa=G&tbo=p&tbs=tl:1,tll:1824,tlh:1824&ei=P9jBS9WgJoWouAem-6TSBg&oi=toolbelt_timeline_result&resnum=3&ct=timeline-date&ved=0CD4QzQEwAg)

4 - (http://www.urutagua.uem.br//02autonomia.htm

abril 09, 2010

Breve História da violência contra a Infância

São secretas as matanças da miséria na América Latina; em cada ano explodem, silenciosamente, sem qualquer estrépito, três bombas de Hiroxima sobre estes povos, que têm o costume de sofrer com os dentes cerrados. Esta violência sistemática e real continua aumentando: seus crimes não se difundem na imprensa marrom, mas sim nas estatísticas da FAO. Ball diz que a impunidade é ainda possível, porque os pobres não podem desencadear uma guerra mundial, porém o Império se preocupa: incapaz de multiplicar os pães faz o possível para suprimir os comensais. “Combata a pobreza, mate um mendigo!”, rabiscou um mestre do humor-negro num muro da cidade de La Paz.
Eduardo Galeano

Desde a Antiguidade podemos verificar que as crianças sempre foram desrespeitadas em seus direitos, no sentido do que hoje chamamos de cidadania, seja pelos costumes, pela moral ou pela lei efetivamente positivada. Em Atenas, berço da Filosofia, da Política e da democracia, mulheres, crianças, homens pobres e escravos não eram cidadãos; em Esparta, fazia parte dos costumes lançar uma criança num precipício em sacrifício aos deuses caso ela nascesse franzina ou aleijada. Também em Esparta a criança era tirada do seio da mãe e entregue ao Estado para cumprir seu destino de guerreira desde os sete anos de idade.

Muitos crimes contra a vida de crianças são relatados desde a própria Bíblia, livro sagrado dos cristãos: por ocasião do nascimento de Moisés, quando o faraó, em função de haver mais judeus que egípcios no Egito, manda matar todas as crianças recém-nascidas do sexo masculino “(...) então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: a todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver” Êxodo, 1, 22. Quando mais tarde Moisés veio para libertar o povo Hebreu do Egito, povo esse escravo já há 400 anos, foi o próprio Deus quem matou os primogênitos – que tanto poderiam ser adultos quanto crianças, como o filho do faraó: “aconteceu que à meia-noite, feriu o Senhor todos os primogênitos na Terra do Egito, (...) e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto.” Êxodo, 12, 29 – 30; quando morreram não só crianças, mas principalmente muitas delas; esta foi a décima praga do Senhor contra o Egito, para demover o Faraó de sua idéia empedernida de manter cativos os Hebreus. Mais tarde, ao chegar à terra prometida, Josué tomou Jericó: “Tudo quanto na cidade havia, destruíram totalmente a fio de espada, tanto homens como mulheres, tanto meninos como velhos, (...)” Josué, 6, 21. Quando nasceu Jesus, o rei Herodes ordenou matança de inocentes, porque temia o Rei dos judeus anunciado pelos Reis Magos, temia pelo seu poder:
vendo-se iludido pelos magos, endureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual, com precisão se informara dos magos. Mateus, 2, 16-17

Na Idade Média a Igreja Católica mandou trinta mil crianças numa cruzada que deveria tomar Jerusalém. Muitos morreram à míngua, outros tantos foram levados pelos mercadores de escravos, outros foram mortos... Enfim, esses milhares de crianças foram sacrificados por causa da ambição de poder dos adultos. No feudalismo não havia direitos para as crianças e eles trabalhavam junto com seus pais nas glebas; com o advento da Revolução Industrial principalmente na Inglaterra, os novos patrões preferiam empregar mulheres e crianças, para pagar menos... Eles trabalhavam entre 16 e 18 horas por dia, muitas crianças perderam membros nas máquinas de fiar, não havia assistência à saúde, não havia escolas para essas crianças.

No período colonial, entre os séculos XVI e XIX no Brasil, quase 350 anos de escravidão, gerações e gerações de crianças nasceram e morreram na escravidão, foram abusadas sexualmente, sem nenhuma proteção, sem direito sequer a pai e mãe, pois os senhores poderiam vendê-los caso necessitassem; a Lei do Ventre-Livre (28 de setembro de 1871) foi mais um engodo do que uma libertação, pois
“não resultou assim, em última análise, senão numa diversão, uma manobra em grande estilo que bloqueou muito mais que favoreceu a evolução do problema escravista no Brasil”
(PRADO JÚNIOR, 2004, p.179).


Em muitas guerras e guerrilhas do século XX as crianças participaram como no caso da Nicarágua e Oriente Médio. Em Soweto, na África do Sul, durante o Apartheid, foram mortos de uma só vez, em público, mais de uma centena de estudantes que faziam parte de protesto contra a segregação racial e o oficial que dirigia a polícia naquele momento mandou atirar contra os jovens desarmados e fardados. O nazismo ceifou a vida de mais de 6 milhões de judeus e quase 1 milhão de ciganos, dentre eles muitas crianças e adolescentes. Se procurarmos, ainda encontraremos muito mais, não só em livros sagrados, mas na própria história material concreta da humanidade, não só no passado, como também no nosso conturbado mundo pós-moderno, onde grassa a violência e o desrespeito aos direitos humanos. Na atualidade, a China é um país onde há elevado índice de infanticídio feminino. Neste país é prática comum cometer aborto quando o bebê é uma menina, o que gerou um desequilíbrio entre os sexos na população do país.

O tráfico humano é o negócio mais rentável do planeta - e sabemos que este tráfico envolve principalmente crianças e mulheres jovens - junto com o tráfico de armas e de drogas.

No Brasil, durante a Ditadura Militar tivemos o fechamento e incêndio do prédio da UNE e vários estudantes mortos ou desaparecidos naqueles 21 anos de torturas e arbítrios, como também foi suprimido o direito à organização em Grêmios Livres, substituídos na época pelos Centros Cívicos, dirigido por professores ou direção escolares. Passamos por sérias mudanças na educação nesta época, pois foi implantado o ensino profissionalizante, olhando o jovem oriundo das classes populares na estreita perspectiva de mão de obra para o mercado de trabalho, a serviço do capital.


Não bastasse tudo isso, ainda podemos lembrar que, em casos de separação conjugal não aceita pelo homem ocorre muitas vezes, por vingança, eles matarem os filhos. O mau-trato e abuso contra a criança é o terceiro crime mais denunciado no Disque-Denúncia em São Paulo. Em 2005, foram registradas 4.603 ligações sobre algum tipo de abuso. Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente o direito da Criança e do Adolescente ao longo dos anos teve flagrante evolução face à necessidade de promoção, proteção e preservação destes seres que ainda estão em desenvolvimento e, portanto, são incapazes de defender-se por si mesmos.

Mesmo assim, muitos são os crimes praticados contra os direitos da Criança e do Adolescente, e a escola não é exceção para a prática destas arbitrariedades. Mais adiante publicaremos análise sobre o paradoxo entre o legal e o real nas instituições escolares.

Maria de Lourdes da Silva
Acadêmica de Direito

A Voz do silêncio

O silêncio tem voz!
Ela traduz muitas coisas na vida de todos nós.
A vida é uma coisa rápida e traz consigo símbolos difíceis de serem decifrados.
São sinais marrentos que se debelam com nosso cérebro tentando se esconder por entre
farpas, como que tentando salvar arestas.
Eu me espanto todos os dias com a maneira elegante com que a realidade foge aos pés.
Deixa o tapete enferrujado, os desejos maltratados e a fé que remove montanha
se funde entre arbustos e magmas vermelhos, sedentos por espaço aberto.
Isso tudo vai grudando em nossa pele e vai tornando cinza dias célebres,
transformando em nuances a eterna alegria, os encantos, o direito de ser feliz!
No entanto, o lado bom de nossos sonhos é colorido e ele realmente existe!!
Mas, onde foi que trocamos os lápis coloridos pelos de cores escuras e em que momento
nossos sonhos se esvaíram deixando-nos ocos, opacos e com uma pequena lágrima no canto do olho como se dela não quiséssemos apartar?
Tenho pensado sobre o aspecto dramático desse eterno devir. E confesso que muito
tem me emaranhado.
São tantas pessoas sofrendo de angustia de desilusão, de tristeza, doença...
São tantos males de amor espalhados em cada esquina!
Homos e heteros se emaranhando em desamores tentando encontrar no outro o zelo de um amor que não vingou? Um tsunami emocional golpeia com tesão assertivo a ingênua mania de sonhar e adentra o corpo da vida mudando tudo o que é viver!
Quisera eu, poder mudar as coisas do mundo. Trazer felicidade e bradar a ingênua
crença de que posso confiar no bom da vida.
O bom da vida é "arrochar"! O bom da vida é ser sacanear! É descomprometer-se com a integridade! É lidar com valores falos e acreditar que isso é razão de ser!
Tudo isso engendra solidão quando dizemos não ao mundo que não partilhamos.
Tudo isso inspira distanciamentos, recolhimentos. E com isso, surge um mundo de casulos e embotados. Um mundo dos mutilados. Pessoas vítimas de estrangulamentos do encanto, da alegria, da pureza de ser um simples guerreiro em marcha a uma vida de realização utópica onde o único vencedor foi si mesmo! Esse povo todo está no hospital da dor, sentindo desgostos e com sensações de perda de tempo, de ter vivido para nada, de ter caminhado em vão!
Como estará a humanidade, quando todos os humanos desse planeta estiverem mutilados?
O silêncio obsequia o pouco de nós a uma "recolhida" paciente e nostálgica. Permitindo-nos a não exposição. Pois, ao dar ao outro um coração quebrado, melhor seria dar a imagem de paz, harmonia estampada na face, instituída como a nova máscara a se desvendar!
Não desanimemos pois! É chegada a hora em que, certamente, uma luz trará uma nova verdade!


Sds!

selmaAguiar
Cantora e Compositora
Gestora Cultural

março 28, 2010

ULISSES PRUDENTE , O POETA

Ulisses Prudente da Silva é cidadão Itabunense, poeta popular pioneiro do neo-cordel; admirado, respeitado e estudado pela comunidade acadêmica da UESC e adjacências, devido a sua poligrafia que aborda, principalmente, temas sociais e paradidáticos voltados para a extensão rural.
Destarte, Ulisses Prudente da Silva, concilia a poesia com sua função como Agente de Atividades Agropecuárias da CEPLAC, órgão do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, popularizando conhecimentos técnico-científicos que ficariam restritos a especialistas.
Ao contrário do que se diz no blog de notória incredibilidade, Correio do Estado da Bahia, editado pelo vigarista Ediney Bomfim, pseudojornalista, estelionatário dado à prática de extorsão, “persona non grata” na imprensa regional, acusado em diversos processos por calúnia e difamação; esclarecemos que o Sr. Ulisses Prudente da Silva é pessoa idônea e atua, também, na prevenção e tratamento da dependência química, realizando “operação resgate”, sendo o responsável pelo internamento de vários jovens em Centros de Recuperação, tais como, Maanaim, Elohim, Kaleb, Ishah Hayil, Vida Serena, Cidade de Refúgio e Instituto Renascer.
“Eis que o mau está com dores de perversidade; concebeu a malvadez, e dará à luz a falsidade. Abre uma cova, aprofundando-a, e cai na cova que fez. A sua malvadez recairá sobre a sua cabeça, e a sua violência descerá sobre o seu crânio.” (Salmo 7:14-16)
“Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.” (Romanos 12: 18-19)

março 14, 2010

CLARISSE

Clarisse
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...

março 09, 2010

e-mail de Selma Aguiar sobre Claudinha

Feliz dia das Mulheres!
Nossa amiga Clau Alves faleceu hoje! E justo numa data tão significante.
Uma mulher forte, altiva, guerreira e decidida, nos deixou de herança, o positivismo, a garra e a audácia de ser mulher.
Devemos abraçar isso com determinação e nos alimentar a todo instante a fim de fazer valer a sua luta,
seu destemor, sua sapiência e sua graça de ser felina e mãe, mulher por excelência da palavra.
Saudades, Claudinha!
Seja feliz no universo.
Retribua com o seu soriso, a máxima de poder ter vivido com gregos e troianos
nessa terra madrasta, gentil e fecunda!!
Bj a todas as mulheres pelo dia reservado a nós para nos lembrarmos de que a luta continua!!!

março 05, 2010

CRÔNICA DO MEU ENTERRO

Hoje amanheci pensando que no dia em que eu morrer, porque sou poeta, as pessoas se movimentarão muito nesta incrível cidade de todos os meus amores e todos os meus desgostos. Imagino que farão um enorme enterro, com muitos carros, um caixão horrível de madeira pretensamente talhada, e criaturas meio pomposas, quiçá tristes, empurrarão a “bicicleta” lentamente, naquela coreografia de todas as procissões fúnebres, sempre para a frente, passo a passo, até o cemitério que Calixtinho deu dignidade e tornou habitável. Provavelmente alguém quererá fazer um discurso, exaltando minhas virtudes, minha inteligência, até a glória que eu serei para esta cidade. Um barato!... É isso: farão um enterro digno, homenageante, glorificante. Mas eu lá vou querer essa coisa preta e triste, essa lentidão, esse calor de flor machucada, esse cheiro de discos de embreagem esquentados, essas pessoas que, nessas ocasiões, falam “pelos cotovelos” – dos filhos, das empregadas, das butiques, dos bois, da crise, da podridão parda? E pode haver coisa mais cafona que discurso à beira do túmulo, mesmo que seja para um poeta?
Ah, não, pelo amor de Deus, não me façam isso! Quando eu morrer – prestem bem atenção – quero um caixão de tábuas simples e, mas, na madeira pura, levado pelas mãos de meus irmãos e de meus amigos até o carro fúnebre, que deverá ir rápido, no mínimo a 30 quilômetros por hora. E mais: quero que respeitem em mim todos os que morrem indigentes e vão no caminhão do lixo, todos os loucos soltados nas estradas para que morram atropelados, todos os meninos assassinados, todos os cachorros escurraçados e gatos violentados, todos os pássaros aprisionados e mortos e todas as árvores derrubadas e queimadas pela estupidez humana. Apenas no silêncio que toda morte exige, para poder ser em paz, façam tocar o 4º Movimento da “Nona Sinfonia” de Beethoven. E que ninguém chore. Não é para chorar! Quero que todo mundo saiba, ou aprenda comigo, que morrer é apenas a conclusão de um processo que se cumpre. E não falo no sentido de fim, acabou, não! Digo conclusão como algo dinamicamente maior, aquele ponto máximo de plenitude em que a vida ganha a sua dimensão mais real. E mais bonita, quem sabe. Pô gente, morrer não mata ninguém!

Valdelice Pinheiro
Professora de Filosofia da UESC

A Mulher e seu papel na transformação da sociedade

Duas da madrugada e eu aqui insone, pensativa, angustiada, ansiosa...preocupada com tudo: preocupada com o curso de direito que exige muito mas nem sempre dá à altura do que solicita; preocupada com os filhotes, lindos (mãe corujona), rebeldes, questionadores, adolescentes, o mundo a seus pés! Preocupada com duas irmãs e seis irmãos - egos fortíssimos, gente muito brava, muito inteligente e muito briguenta, assim, como eu... rsrsrsrsrsr, como administrar dívidas, irmãos e irmãs, filhos, curso, trabalho? e mais o lazer, a tv, o computer,os textos mil que tenho para ler... sinestesicamente, só ponho a mão na folha e já senti e entendi tudo que está escrito. Crê nessa possibilidade? não duvido de nada mais. Enfim, mulher do século XXI, "independente" - tenho tantas necessidades e carências!, emancipada - a duras custas e fortes penas, com muita luta e debate com os que não me aceitam "eu pensante e ativa", trabalhadora assalariada - que vergonha não pagarem às mulheres igualitariamente quando elas fazem o mesmo que os do sexo oposto, "livre" - a quantas horas de quantos dias e meses e anos estou correndo... "não sei por onde vou, não sei pra onde vou, só sei que não vou por aí"... onde queremos chegar com tanto corre-corre? Tudo ficou mais importante que a nossa liberdade, nossa família, nossa satisfação pessoal, nosso amor... qualquer porcaria mercantilizada vale mais que todos nós: cala a boca , menino, tô assistindo o jornal! hora da novela, silêncio! quieta, não tá vendo que tô assistindo ao filme? e quando se trata do computador a coisa é bem pior, porque passamos a dar mais atenção aos virtuais que aos reais, que estão ali do nosso lado, precisando do nosso amor, do nosso carinho, do nosso mais simples olhar, para saber que ainda o amamos! Ai minha maravilhosa vida de mulher é uma terrível escravidão tão ruim quanto a anterior, quando eu tinha que cuidar de toda a casa, andar limpinha e nunca dizer não ao meu senhor. E os trezentos e cinquenta anos de escravidão? quando imagino o escravo amarrado no pelourinho, com a bunda de fora, exposta aos transeuntes, amarrado pela cintura, acima das nádegas e abaixo delas, com o feitor do lado a chicoteá-lo, preciso confessar, o gosto do sangue vem à minha boca. Ah, mulheres africanas, mãe de tantas lutas e revoluções, eu sinto a dor e a vergonha de cada estupro, a revolta por cada submissão, o cheiro da indignação por cada açoite e as marcas do tronco ainda doem em minhas juntas, pés e mãos! Trouxemos inscrita no DNA toda essa história, desde os campos livres da África, passando pelos porões dos tumbeiros, os mercados de escravos, os séculos de privações e de senzala, a abolição que não indenizou ninguém e oficializou a marginalidade e o preconceito contra os descendentes dos africanos no meu país! e essa torrente de sentimentos, pensamentos, idéias, lembranças atávicas registradas no sangue dos avós, dos quais herdei o amor à natureza, o espírito guerreiro e a sabedoria de velhos feiticeiros da africanidade, mãe de todos os seres humanos, a velha África, de onde viemos todos... e ver-te sendo assim destruída por doenças importadas por nações ricas e ambiciosas, que desejam te matar para ficar com tudo que é teu! Algozes terríveis que há séculos tecem a trama e a teia nefasta do destruidor... como que numa enxurrada de fortes emoções e lembranças, comovida com a chave do portal que abre tantas memórias, imagens, cheiros, cores, sabores, sigo pensando, refletindo sobre esse Ser Mulher neste mundo em que vivo, onde ainda se espera de mim que fale baixo, peça, implore, dê incondicionalmente, obedeça, favoreça, renuncie, aceite, cale, silencie e morra, se preciso for, pela manutenção do status quo dos poderosos e tiranos, que, como já dizia o Chaplin "oprimem o povo e se liberam"!!! São tantas mulheres, não posso falar de todas assim numa só sentada... preciso de mais páginas, mais tempo, mais tinta, papel, caneta, lápis ,tecnologias como computador e afins, preciso de muitas madrugadas, porque ainda devo pensar a prostituta, la putana retada, as índias mortas com seus filhos nos braços, inocentes, sem compreender tamanha maldade maldita amaldiçoada, torpe, ilícita, voraz, sedenta de sangue... aliás, sedenta de ouro e prata e capaz de matar uma nação inteira por causa disto! Deus, apague esta idéia, Deus, você não poderia ter sido mais infeliz nesta criação! cada bisa nossa que regou a terra com o próprio sangue, cada corpo aberto ao meio pela insanidade do colonizador... clama na minha voz, chora nos meus olhos, têm pesar no meu coração e sinto que eles perguntam: por quê? por quê? Ser mulher! sou mulher! "Todos tiveram pai, todos tiveram mãe, e eu que não principio nem acabo, nasci do amor que há entre Deus e o Diabo" Ah, mulheres enterradas vivas nas paredes de suas próprias casas, mulheres aprisionadas nos porões, com oito portas separando-as do mundo por mais de 20 anos, mulheres espancadas e mortas por seus maridos, mulheres que viveram toda a vida aprisionadas no lar, escravas dos seus companheiros... dionisíacos, baconianos!
ah madrugada forte, mulheres proibidas de aprender a ler, proibidas de estudar, mulheres que fizeram e aconteceram e os maridos tomaram seus feitos para si...mulheres de Atenas, sem gosto ou vontade, sem sonhos, só presságios, como nos lembra Chico Buarque e as de Esparta, que tinham seus filhos arrancados do seu colo aos sete anos de idade. Como será que se sentiram as mães das trinta mil crianças que partiram da Europa para conquistar Jerusalém? como será que se sentiram as mães das crianças que tiveram suas mãos arrancadas pelas máquinas da Revolução industrial? o que não passaram as mulheres com o advento do capitalismo? E a prima notte feudal? novamente o gosto de sangue me vem à boca... Agora somos até da Polícia! Por que temos que pegar em armas? Temos é que combater as armas. Abaixo as armas, abaixo a violência... Nossa emancipação tomou um rumo de competição com o homem no mundo que ele forjou. Temos é que sustentar idéias de uma nova ordem mundial, de uma nova concepção de mundo e não querer disputar no Mercado um posto similar... O que está posto como Real é ilusão, o que está posto como sonho é a mais doce e meiga utopia que devemos acalentar para que sejamos todos felizes, nossos filhos e filhas, nossos amigos e amigas, nossas vizinhas, nós mesmas. Precisamos garantir a existência de pessoas que se enternecem com as flores, um banho de mar, bichos, mato, selva, floresta, natureza... O urbanóide é patético, destruidor contumaz, louco, maníaco-depressivo, vivendo nesse frenesi que não o leva a lugar nenhum, mas sempre a última hospedeira o estará aguardando, para transformá-lo de novo em lama e pó...quisera podermos aproveitar mais e melhor a nossa passagem pelo Planeta, sentindo o calor tépido da terra, o cheiro das pedras, o vigor dos caules e a fragilidade milenar dos troncos das árvores. A servidão voluntária, de que nos fala Etiénne de La Boétie, ainda está presente na sociedade, é uma voluntariedade involuntária, porque por causa do ter que tanto aprendemos a querer e desejar, somos praticamente obrigados a aceitar todo o sistema econômico-financeiro-jurídico-político, que nos é imposto "goela a baixo" por aqueles que se adonaram de todos os bens, mantendo-nos reféns de nossas próprias ilusões. Depois eu escrevo mais. Meu espírito esvaiu-se e exauriu-se com esse turbilhão de emoções e pensamentos. Que a Mulher queira transformar a Sociedade Humana, e não disputar cada pedaço do seu quinhão, porque a gente só deve brigar por coisas que valem a pena e esse modelo que aí está de sociedade e de convivência humana precisa ser repensado e revolucionado com a máxima urgência, se é que queremos continuar residindo no Mundo Terra.
Diacui Pataxó

fevereiro 23, 2010

ASSEMBLÉIA OU REUNIÃO?

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
José Régio

eu e meu sonho de democracia.
eu e minhas utopias...
aquilo não era uma assembléia. Umas pessoas falavam e falavam e falavam - sempre as mesmas ... e outras apenas ouviam e balançavam as cabeças como lagartixas, lagartos ou sei lá que réptil rastejante e sem imaginação. Cheguei a ver que algumas delas escreviam bilhetinhos fazendo perguntas medíocres e outra lia, orgulhosa e senhora de si, ao microfone, logo respondendo! Uma disse a mim assim: vai ter a semana pedagógica ou não? tira essa dúvida aí, vai. Eu não fui, claro. Estava mesmo era indignada com tanto consentimento, com tanto balançar de cabeça pra cima e pra baixo a dizer que sim... não teve nem votação... só consenso! que bom! não há conflito! quem o quer? Eu o quero, inquieta, insatisfeita, indignada, imanipulável - acabei de inventar - questionadora.
prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar, eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão, e posso não lhe agradar.
Aprendi a dizer NÃO, ver a morte sem chorar, e a morte, o destino, tudo, a morte, o destino tudo, estava fora do lugar, eu vivo pra consertar...
(Disparada - Geraldo Vandré)

Quando eu morei em São Paulo, nos idos de 1995, 96 e 97, naquela época o sindicato dos professores lá era governado por dois irmãos que não me ocorre agora o nome... coincidências da minha querida Pindorama, que eu vislumbro ÁGORA.
Vivemos numa cidade quatrocentona, conservadora, com idéias de coronelismo ainda na cabeça de muita gente, pode-se dizer que ACM ainda está quente na cova!!! O ex-prefeito de Itabuna ainda elege seus candidatos e em Ilhéus o povo elegeu um rico empresário que tinha fama de "comer criancinha" e perguntava no palanque de eleição: "vocês querem um viadão ou um putão?" Ora, façam-me o favor!. Ainda bem que deu tempo de tirá-lo. Todavia, Ainda não sei se foi pior a emenda que o soneto, como diz o dito popular.
A verdade é que enquanto as crianças estão sem aula e nós sem dinheiro, alianças e conchavos são feitos em nome de interesses pessoais e partidários por pessoas de nossa confiança, de quem esperamos mais que acordos com o Prefeito. Esperamos resistência, tenacidade, honradez, dignidade, incorruptibilidade, cidadania, Ética.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"

fevereiro 03, 2010

ENQUANTO ISSO...

AS CRIANÇAS VOLTARAM A ESTUDAR EM ITABUNA, NA MARAVILHOSA CURUMIM, E ESTÃO MUITO FELIZES DE ESTAREM NUM AMBIENTE TÃO SAUDÁVEL, DE JÁ TEREM VOLTADO ÀS AULAS, DO CONVÍVIO COM NOVOS E VELHOS AMIGOS, REENCONTROS, desencontros sempre haverão - faz parte. Dos meus 25 anos de magistério, com experiência numa cidade como São Paulo e numa roça como Lagoa Encantada - roça aqui no sentido mais prazeroso possível e imaginável - posso dizer que é a melhor proposta pedagógica que já conheci até hoje. Só abro exceção para o Ciclo, mas aí já é outro papo. Filosofia, artes plásticas, capoeira, música, fotografia, literatura, pesquisa... na CURUMIM se fala de tudo, o estudo vira uma coisa tão gostosa que passa a ser até "fácil" estudar... frequenta-se os parâmetros da ludicidade daquelas mentes pueris e sagazes, nada escapa aos olhares atentos de Rita e Raquel, profissionais experientes não só no ramo da pedagogia como também da Psicopedagogia e agora, da Psicologia - com a nova formatura de Raquel. E elas não param, estudando, cursando, dando cursos, seu saber e sua vontade de ensinar extrapolam as paredes da escola e lá vão elas região adentro, as intrépidas filhas e netas de sergipanos que transformaram o povoado de Tabocas no Município de Itabuna, rompendo as barreiras da ignorância e levando a sede do conhecimento a todo lugar.
Sinto-me à vontade para falar delas. Conheço-as no mínimo há 28 anos e conheço a CURUMIM desde o início.
Falando de CURUMIM não posso deixar de falar de Tio Jorge, o professor Jorge Batista, o artista, ator, diretor de teatro, figura polêmica, criativo, trabalhador, inovador...Salve Jorge! Também não posso esquecer a suave e adorável bailarina, Tia Rai, Railda Prudente, pelos palcos da vida, mudando a vida de adolescentes e jovens com a sua leveza e competência profissional. Disse-lhe pessoalmente e repito aqui para que todos saibam: seu trabalho é de nível internacional. Quero vê-la dançando na Espanha, em Portugal, na Suíça...
Quem sabe faz a hora
; e finalmente, quando se fala de CURUMIM também não se pode deixar de falar de seu maior baluarte, sua sustentação moral e histórica: DONA NEUZA PRUDENTE, matrona, matriarca, mãezona, merecedora do nome que tem e soube passar a bênção que trouxe no nome a todos que lhe cercaram e souberam aprender com seu exemplo! O resto é bobagem! Defeitos - quem não os tem? Mas o belo é estar ali todo o tempo, presente, prudente, pra o que der e vier.
Parabéns Victor e Sophia, pelo retorno a CURUMIM. Considero obra de Deus a idéia de tê-los conduzido novamente para aí. Sejam felizes, aproveitem para aprender, curtam as festas, os passeios, as aulas diferenciadas, os projetos, as novidades, a filosofia!!! Curtam as viagens diárias de Ilhéus pra Itabuna e de Itabuna pra Ilhéus numa das estradas mais lindas do nosso país; observem cada ponte, cada trecho do Cachoeira, vão olhando quando as folhas caem, quando as acácias florescem, o que há após cada curva, as mudanças que vão ocorrendo à beira da estrada no Banco da Vitória, na Fundação Dom Bosco, no Salobrinho - oh! meu querido Salobrinho! na UESC, na CEPLAC, na Vila Cachoeira... Quanto as cidades se aproximam cada vez mais no dia-a-dia. O futuro é de vocês, Ilhéus e Itabuna deverão ser uma cidade só e esse tempo não está muito longe.

Salve Mãe das Águas - Salve Iemanjá

Dois de Fevereiro
Dorival Caymmi
Composição: Dorival Caymmi

Dia 02 de fevereiro
dia de festa no mar
eu quero ser o primeiro
a saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete pra ela
pedindo pra ela me ajudar
ela então me respondeu
que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
de cravos e rosas vingou
chegou chegou chegou
afinal que o dia dela chegou...

janeiro 29, 2010

APPI
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
RESULTADO DA ASSEMBLEIA DA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
A assembleia dos Trabalhadores em Educação realizada no auditório do IME-Centro no dia 27/01/2010 foi de muita tensão. Mesmo de férias a categoria está mobilizada devido a falta de respeito do governo municipal em sempre estar descumprindo o acordo firmado com categoria.



E por falar em férias, até a presente data, nenhum profissional do magistério recebeu o pagamento de 1/3 de férias que deveria estar na conta do trabalhador no primeiro dia do mês de janeiro. A folha dos contratados ainda não foi concluída e o reajuste do Piso Nacional, na visão da Procuradoria do Município não deve ser incluído para todos os profissionais do magistério. Ora, qualquer leigo que tiver acesso ao texto da LEI 11738 de 16/07 de 2008 vai entender que o Piso deve abranger a TODOS professores e professoras da Educação Básica. PISO NÃO É TETO, Procuradores!!!!, Não confundam a semântica dos termos, é vergonhoso o desconhecimento dessa LEI.


O artigo 5º da LEI 11736/08 diz: O piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica será atualizado, anualmente, no mês de janeiro, a partir do ano de 2009.




Parágrafo Único: A atualização de que trata o caput deste artigo será calculada utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei 11494 de 20 de junho de 2007.




Já o artigo 6º , A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar ou adequar seus Planos de Carreira e Remuneração do Magistério até 31 de dezembro de 2009, tendo em vista o cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação básica, conforme no parágrafo único do artigo 206 da Constituição Federal.




Companheiros e Companheiras, não podemos deixar que rasguem e joguem o nosso Plano de Carreira Cargos e Salários no lixo. A Procuradoria do município entende que já estamos acima do Piso , que é desnecessário no momento aplicar o reajuste para os professores que estão nos padrões B e C. No parecer emitido pela procuradoria jurídica apenas os professores padrão A referência I receberiam o reajuste do piso. O procurador apenas desconhece que não há ninguém no quadro dos professores de Ilhéus que esteja na referência I do padrão A. Ou seja, vão achatar a tabela salarial da categoria para não beneficiar um único professor.


Precisamos acompanhar atentamente a discussão do piso.
TODOS JUNTOS NA ASSEMBLEIA DO DIA 08/02, ÀS 9h, NO IME.

FW: NOTICI AS EDUCAÇÃ O ILHEUS

Esta notícia veio da amiga Itamara Burke

 





 


 Educação adia início do ano letivo para tentar pagar débitos e evitar nova greve

Enilda Mendonça: um ano dificil
Crédito: JBO
 

Sem recursos – e, por enquanto, sem alternativa - para quitar os débitos junto aos professores e servidores da educação, a Prefeitura de Ilhéus encontrou uma solução paliativa: ganhar tempo. O início do ano letivo que estava previsto para acontecer no dia 1º de março foi oficialmente transferido para o dia 16 do mesmo mês. A intenção é ganhar, pelo menos, duas semanas para pagar os débitos e evitar que o ano letivo comece comprometido. Os servidores da educação ameaçam não retornar às escolas caso a Prefeitura de Ilhéus não quite os compromissos em atraso que tem com a categoria.

 

De acordo com a presidente da Associação dos Professores de Ilhéus, Enilda Mendonça, a Prefeitura deve um terço de férias, parte dos salários de dezembro dos servidores contratados e a folha de janeiro vence no próximo sábado (30). Além disso, uma decisão da Procuradoria Jurídica do Município em não acatar o reajuste do piso nacional da categoria, previsto para acontecer agora em janeiro, também pode complicar ainda mais a relação. "Alertamos a população de que Ilhéus não vai ter um início de ano letivo fácil", afirma a sindicalista.

 

Enilda considera a situação administrativo-financeira da secretaria municipal de Educação "um caos". E afirma que apesar do discurso de queda no repasse de recursos para o município para justificar o atraso, isso não faz sentido. "Todos os municípios sentiram este impacto. E grande maioria está com salários dos professores e servidores da educação em dia", afirma. Para piorar, o secretário interino, Sebastião Maciel, não deve ser efetivado no cargo. Ele aguarda apenas a definição do seu substituto, que deverá ser uma indicação do PSB, partido do prefeito Newton Lima. Com limitações para agir, Maciel se reune com a categoria, mas já sem poder para tomar decisões.

 

Em 2009, professores e servidores promoveram cinco paralisações ao longo do ano e, segundo a dirigente, tudo indica que 2010 será um período de novas e longas greves por conta da "desorganização e da incompetência generalizada" que tomam conta do governo municipal. "Tenho mesmo que reconhecer. Não sabemos onde iremos parar", disse.

 

Ainda hoje a categoria se reúne no auditório do Instituto Municipal de Ensino (IME) para discutir a proposta de paralisação e impedir o início do ano letivo. "Se até a data prevista para o início das aulas não estiver tudo quitado, não retornaremos às escolas", ameaça Enilda Mendonça. 27 mil alunos estão matriculados na rede municipal de ensino de Ilhéus.


Enilda Mendonça: um ano dificil
Crédito: JBO

Sebastião Maciel, sem muito o que fazer
Crédito: JBO
 
Milena de Oliveira Pereira
Professora Educação Física
Especialista em Gerontologia
Pós graduanda em Educação Fisica Escolar
Cref: 000777-BA
Tel: 7336137884 e 7388348462



dezembro 04, 2009

poema adolescente - Sophia Silva de Almeida

Perdida no meu quarto
em meio àquela bagunça total
não achei a saída
agora,não era mais um quarto
era um labirinto de 4 paredes.
Agora eu tinha segredos
eu tinha deveres
eu tinha amores,e o passado
não valia mais,agora o que valia
era o futuro.enfim achei a saída
agora me faltava a chave
que eu também não sabia onde estava!!
porque acredite,aquilo era a verdadeira
BAGUNÇA!!
Procurei nos recantos mais claros
e nos mais sombrios da minha mente
aí me lembrei de que agora tenho que
pensar em quem eu realmente vou ser!!
Lembrar das pessoas que amei e das
pessoas que magoei.
e que apesar de tudo o que passei...
valeu a pena, pois hoje sou o que sou
e me orgulho disso.
agora achei a chave
mas não me lembro onde é a saída.
Por fim, estou condenada a viver assim
presa num quarto, tendo a chave mais
sem achar a saída, mas com a esperança de
novamente,ver a luz do dia
e o mundo lá fora,que apesar de ser lindo
é perigoso.
mais não tanto quanto minha mente...

by                       Sophia

novembro 19, 2009

Entrevista: Consciência Negra e Cotas raciais

Entrevista da professora e acadêmica de Direito Maria de Lourdes da Silva sobre 20 de novembro, dia nacional da Consciência Negra. Para ilustrar a entrevista, achei por bem colocar as fortes imagens do artista mexicanos David Alfaro Siqueiros, polêmico, subversor da ordem, pungente, que falam por si só sobre questões étnico-raciais e democracia e que tanto se parece com o sentido da fala da entrevistada

Diacui Pataxó - Professora Maria de Lourdes, estamos lhe entrevistando porque seu trabalho contra racismo e preconceito é reconhecido pela comunidade e principalmente por aqueles que foram seus alunos ao longo dos seus 25 anos de Magistério.

Maria de Lourdes - é verdade, sempre combatemos preconceitos com projetos, eventos e oficinas nas escolas, envolvendo colegas, estudantes e comunidade.

DP - O que a motivou sempre a estar à frente nestas atividades?

MLS como dizia a minha professora de metafísica, a poetisa Valdelice Pinheiro, a INDIGNAÇÃO, só podemos nos sentir vivos se ainda nos indignamos.
Sinto-me incomodada desde a adolescência, quando percebia muitas amigas de pele mais escura serem maltratadas, depois cresci vendo Klu-Klux-Klan, Apartheid, Nelson Mandela preso, li seu livro, assisti Steve Biko - um grito de Liberdade, Sarafina, Zumbi, li a história da escravidão no Brasil, olhei ao meu redor e vi racistas... Não pude me calar mais...

DP O que a senhora pensa a respeito das cotas raciais?

MLS - eu concordo plenamente com cotas raciais, acho que é o mínimo de indenização que o governo pode dar aos negros pelos trezentos e cinquenta anos de escravidão, com a bunda exposta na rua, amarrados no pelourinho, tomando chicotadas em público, herança maldita escrita no DNA de todos nós. Trezentos e cinquenta anos sem casa pra morar, sem chão seu pra lavrar, sem poder aprender a ler, sem ser dono do próprio corpo, geração após geração de meninas e mulheres estupradas por senhores, abusadas sexualmente, vilipendiadas na alma e no que pode haver de mais digno e decente no ser humano, o amor-próprio, a auto-estima! Crianças obrigadas a trabalhar, vidas inteiras comendo restos de migalhas das mesas ou as vísceras rejeitadas dos animais...cotas raciais não são nada diante da história, da diáspora compulsória, da escravidão secular.

DP - Haveriam outras alternativas?

MLS - Claro que sim! Na verdade, se nestes últimos cem anos a escola pública foi frequentada por negros e pobres, por que a cota-racial na Universidade pública é para negros? a cota racial deveria ser para os brancos. Eles estudaram fora da rede pública, nas melhores escolas particulares, nos melhores pré-vestibulares, por que são eles os donos das vagas nas escolas públicas e nós, os negros, o povo, os cotistas? Para sermos discriminados mais uma vez? Para sermos chamados de incompetentes? que não conseguimos passar no vestibular e por isso precisamos de cotas? Os brancos são minoria em nosso país. As cotas devem proteger minorias. As vagas são dos negros que obrigatoriamente alisam os bancos das escolas estaduais e municipais toda a sua vida, mas na hora H, da profissionalização de nível superior...!!!

DP - Essa idéia é bastante polêmica!

MLS - O Brasil precisa de polêmicas. Tudo no Brasil termina em pizza e cerveja, na beira da praia, numa mesa de bar, numa roda de piadas. Não se discute com clamor, não se fala sério, as pessoas não se indignam, não reclamam, não propõem o inusitado! Essa idéia é a descontrução do pensamento considerado dos mais avançados no Brasil por conta de combater o racismo! Após 30 anos de trabalho, dos quais 25 estive no Magistério, resolvi prestar vestibular para Direito e me inscrevi como cotista! Usei o subterfúgio que a lei me concedeu, mas preferia que tivesse sido de outra maneira. Como acadêmica de Direito, cotista, tenho percebido vários colegas na mesma situação destacando-se como os melhores alunos do curso.

DP Então o Ensino Fundamental precisa de mudanças?

MLS Claro que sim. Não de reformas mas de uma revolução. A qualidade do Ensino público e gratuito no Brasil está em cheque. Urge a transdisciplinaridade, a informatização das escolas... aqui em Ilhéus, na Bahia, os computadores chegam e ficam hum ano fechados dentro das salas das diretoras, porque a ordem é que só técnicos da Secretaria de Educação podem vir abrir e eles levam esse tempo para sair da Prefeitura e chegar na escola. A internet não é instalada e os discentes não tem acesso em casa nem na escola. O Cargo Ministério da Educação e Secretaria de Educação tem que ser ocupados por vontade política e não por técnicos e puxa-sacos políticos.

DP- Bem professora, quais suas palavras finais sobre o dia 20 de novembro, dia Nacional da Consciência Negra?

MLS- Digo que sempre fomos ensinados a nos acharmos feios, fedidos, sujos, preguiçosos, desgrenhados, nossa religião virou coisa do diabo - embora Netuno carregue um tridente impune do julgamento dos brancos - nossas vestes são espalhafatosas, nossa bunda é grande, nossos "beiços" são grossos... Mas somos lindos em nossa negritude e mestiçagem, cheiramos a mato e natureza, sempre fomos os que limpamos - gostaria de citar aqui aqui a música que Gilberto Gil compôs em 1984:

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê

Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza

Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão

É isso: Lembremos sempre da nossa dignidade!


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LIBERTEM CÉSARE BATTISTI

Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro


CARTA ABERTA
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO
"Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda". (O homem em revolta - Albert Camus)
Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.
Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.
A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.
Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!
Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.
Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.
Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.
E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em "GREVE DE FOME TOTAL", com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.
Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.
Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!
Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.
Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro.
Brasília, 13 de novembro de 2009
Cesare Battisti
http://cesarelivre.org/node/183

Carta em solidariedade a Cesare Battisti, por uma decisão justa e soberana do Estado brasileiro: a sua libertação
Dezembro de 2008
Vimos, em nome de brasileiros das mais diversas cores ideológicas, manifestar solidariedade ao escritor Cesare Battisti, cidadão italiano mantido preso pela Polícia Federal em Brasília desde março de 2007, acusado de crimes que nega ter cometido, com motivação política, ocorridos em seu país, na década de 1970 -- época em que o mundo estava dividido em dois pólos ideologicamente antagônicos e aconteciam conflitos em ampla escala, nas diversas nações.
Cabe salientar o quanto o episódio é inoportuno, num momento em que o Brasil desfruta de invejável liberdade, começa a pagar suas dívidas sociais e desenvolve esforços para ser reconhecido pelos organismos internacionais como uma nação capaz de assumir responsabilidades maiores na condução dos destinos da humanidade.
Neste sentido, é imperativo sermos vistos como um país que não só respeita os direitos dos seus próprios cidadãos, como apóia os estrangeiros vítimas de perseguições políticas em seus países de origem. A concessão de refúgio humanitário, nesses casos, é uma nobre tradição brasileira da qual não deveremos jamais abrir mão.
Cesare Battisti já sofreu demais. Merece viver em liberdade, com sua família, exercendo o ofício em que tanto se destacou. Merece a hospitalidade dos brasileiros cordiais (torçamos para que eles ainda existam e se manifestem!).
Não é só Cesare que está sendo posto à prova. Nós também: nossos sentimentos humanitários, nosso espírito de justiça, nossa consciência solidária.
Seria motivo de imensa vergonha para nós não oferecermos a um idealista injustiçado condições análogas às que propiciamos a ladrões como Ronald Biggs e ditadores com Alfredo Stroessner.
NOSSA LUTA NÃO É SÓ POR CESARE. É TAMBÉM POR NOSSA DIGNIDADE E ORGULHO NACIONAL.
VENCEREMOS!

Carta de Anita Prestes (filha de Olga Benário) pedindo a Lula que não entregue Battisti


Exmo. Sr. Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva.
Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo
Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo*), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
http://cesarelivre.org/node/196

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novembro 17, 2009

ESTADO, GOVERNO E SOCIEDADE - NORBERTO BOBBIO - resumo de parte do capítulo III

5. Estado e Direito

Os elementos constitutivos do Estado

Deseja-se iniciar a reflexão e o fichamento desta parte do livro do ilustre filósofo político, historiador do pensamento político e senador vitalício italiano Norberto Bobbio, com o contraponto do pensamento de outro grande pensador, Pierre-Joseph Proudhon, marcando desde já uma postura de questionamento e crítica diante do estabelecido como certo, legal e normal. É verdade que o texto de Proudhon desconstrói o pensamento que ratifica o Estado e ou corrobora a idéia de Estado como um instrumento de organização e ordenamento da sociedade, mas é mister que se faça comparações para que assim as conclusões estejam mais subsidiadas e encorpadas num pensamento fundamentado numa visão plurilateral, dialética, e não unilateral, como sóe acontecer.

PIERRE-JOSEPH PROUDHON: SER GOVERNADO É...
“Ser governado é: ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legiferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude.
Ser governado é: ser em cada operação, em cada transação, em cada movimento, notado, registrado, arrolado, tarifado, timbrado, medido, taxado, patenteado, licenciado, autorizado, apostilado, admoestado, estorvado, emendado, endireitado, corrigido.
É, sob pretexto de utilidade pública, e em nome do interesse geral: ser pedido emprestado, adestrado, espoliado, explorado, monopolizado, concussionado, pressionado, mistificado, roubado;
Depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa: reprimido, corrigido, vilipendiado, vexado, perseguido, injuriado, espancado, desarmado, estrangulado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, para não faltar nada, ridicularizado, zombado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral!
E dizer que há entre nós democratas que pretendem que o governo prevaleça; socialistas que sustentam esta ignomínia em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade; proletários que admitem sua candidatura à presidência! Hipocrisia!...”
PROUDHON, Pierre-Joseph. A propriedade é um roubo. L&PM Pocket. Porto Alegre. 2001. 172p. (p. 114-115). [15 de março de 2006]


“Desde quando do problema do Estado passaram a tomar conta os juristas, o Estado tem sido definido através de três elementos constitutivos: o povo, o território e a soberania”. Bobbio cita MORTATI (1969, p.23): o Estado é “um ordenamento jurídico destinado a exercer um poder soberano sobre um dado território, ao qual estão necessariamente subordinados os sujeitos a ele pertencentes”. Para Kelsen o poder soberano”é o poder de criar e aplicar direito,” recorrendo inclusive à força. O território é o espaço de atuação do Estado, em seus limites e fronteiras dá-se o poder soberano. Para Weber
não é possível definir uma associação política — inclusive o "Estado" — assinalando os fins da "ação da associação" [...] não existiu nenhum fim que ocasionalmente não haja sido perseguido pelas associações políticas; e não houve nenhum [...] que todas essas associações tenham perseguido. Só se pode definir, por isso, o caráter político de uma associação pelo meio [...] que sem ser-lhe exclusivo é certamente específico e para a sua essência indispensável: a coação física.

Kelsen, com sua idéia de que o Estado é uma técnica de ordenamento social encontra eco em Montesquieu, numa passagem clássica do Espírito das leis, onde ele, engrandecendo a nação que tem por objetivo a liberdade política, a Inglaterra, diz que “embora todos os Estados possuam em geral o mesmo fim, que é o de se conservar, cada Estado é levado a desejar um em particular” e exemplifica: “a expansão era o fim de Roma; a guerra o dos espartanos; a religião, o das leis judaicas”...
Bobbio diz que a existência do Estado prescinde de um território sobre o qual se tenha tomado tal poder que se possa estar ali sempre deliberando e comandando aqueles que, efetivamente, obedecem. E neste ponto lembra-se Thoreau ( 1995, p. 20) quando diz
A maioria dos homens serve ao Estado dessa maneira, não como homens de fato, mas como máquinas, com seus corpos . São o exército permanente, os membros da milícia, os carcereiros, os policiais, os posse comitatus1, etc. Na maioria dos casos, não há livre exercício nem do raciocínio nem do senso moral; eles se colocam porém ao nível da árvore, da terra, da pedra; talvez se possam manufaturar homens de madeira que sirvam a tal propósito de modo igualmente satisfatório.
Há limites, porém. Kelsen vê que além do limite espacial (território) e pessoal (povo) existe o limite de validade temporal e o de validade material, ou seja , o primeiro diz respeito ao tempo de vigência da lei desde sua emanação até sua ab-rogação e o segundo diz respeito
a) “matérias não passíveis de serem submetidas a uma regulamentação qualquer (...) e b) ”matérias que podem ser reconhecidas como indisponíveis pelo próprio ordenamento, como acontece em todos aqueles ordenamentos em que está garantida a proteção de alguns espaços de liberdade, representados pelos direitos civis(...)(p.95)
Novamente aqui lembra-se o filósofo norte-americano, Thoreau, que questiona:
Deve o cidadão, mesmo por um momento, ou em caso extremo, abdicar de sua consciência em favor do legislador? Então para que serve a consciência do indivíduo? Penso que devemos ser homens, em primeiro lugar, e só depois súditos. (p. 19)



O governo das leis

“É melhor o governo das leis ou o governo dos homens?” (p.93/4) Assim se arrasta o problema da relação entre direito e poder desde a Antiguidade Clássica, onde Platão e Aristóteles já colocavam o problema onde a paixão – mister da alma humana, não deveria existir na lei e mais, que os governantes deveriam ser súditos e escravos da lei e não ela súdita dos governantes ou privada de sua autoridade, para que assim as cidades pudessem prosperar na ordem. Essa idéia sobre a supremacia da lei estar no fato de que ela não se curva às paixões (Aristóteles) vai conduzi-la no decorrer da história a uma identificação com a voz da razão, associando sua frieza e imparcialidade à racionalidade. Durante o feudalismo, imperava a idéia de subordinação do príncipe à lei e na tradição jurídica inglesa o governo da lei é o fundamento do Estado de Direito.
Impõe-se então outra questão: “Já que as leis são geralmente postas por quem detém o poder, de onde vêm as leis a que deveria obedecer o próprio governante?”(p.96). Dois caminhos foram abertos a partir das respostas dadas, um diz respeito às leis naturais, derivadas da própria natureza do homem vivendo em sociedade e/ou “as leis cuja força vinculatória deriva do fato de estarem radicadas numa tradição”, leis “não escritas”, como aquelas que obrigam Sócrates a não fugir da prisão para escapar da morte, inclusive porque Sócrates acreditava que poderia questionar as leis mas não deveria desobedecê-las. O outro caminho indica um bom legislador, confeccionador da lei, “que deu a seu povo uma constituição (...)” (p.97). Os dois caminhos se fizeram presentes ao longo da história do pensamento político

Os dirigentes que, embora sendo os artífices das leis positivas, como as leis naturais que na tradição do pensamento medieval são também as leis de Deus (...) ou as leis do país, a common Law dos legistas ingleses, que é considerada uma lei da razão, á qual os próprios soberanos estão submetidos (p.97).

Rousseau é quem vai resgatar a idéia de grande legislador, “homem extraordinário" cuja função é excepcional porque “nada tem em comum com a autoridade humana”. Segundo Bobbio, todas as primeiras constituições escritas (...) nascem sob o signo do reino da razão, interpretando as leis da natureza e as transformando em lei positiva com uma constituição saída (...) da mente dos sábios (p.97). Diferente de Rousseau, Thoreau ( 1995, p. 45) diz:

(...) Há oradores, políticos e homens eloqüentes aos milhares; mas não abriu ainda a boca para falar o relator que seja capaz de resolver as mui debatidas questões do dia. Amamos a eloqüência pela eloqüência e não por qualquer verdade que possa exprimir, ou qualquer heroísmo que possa inspirar (...) Se fôssemos deixados inteiramente à mercê da palavrosa sabedoria dos legisladores do Congresso para guiar-nos, sem que ela fosse corrigida pela oportuna experiência e pelas eficazes reclamações do povo, os Estados Unidos não conseguiriam manter por muito tempo o posto que ocupam entre as nações.

A julgar pela conduta dos nossos legisladores, pelos escândalos contínuos do nosso Senado e Congresso como um todo e outros escândalos internacionais, o pensador naturalista e ecologista, fundador da desobediência civil, que influenciou Gandhi e Martin Luther King estava, por assim dizer, mais com os pés no chão do que aquele que foi, talvez, porventura, um dos seus mais diletos inspiradores intelectuais. Verdadeiramente os considerados “sábios” muitas vezes são mesmo é pseudo-sábios, legislando em causa própria, defendendo os interesses das classes dominantes e embargando, protelando, adiando, anulando, sucateando, vilipendiando sempre que podem os direitos do povo. No seu texto AOS DOUTORES DA LEI, a professora Maria de Lourdes da Silva, discente deste Curso de Direito e licenciada em Filosofia por esta Instituição diz o seguinte:

Os doutores da Lei julgam-se os senhores do mundo, têm-se na conta de sabidos sem, no entanto, serem sábios; julgam-se quiçá sacerdotes do Direito e da Jurisprudência, mas trancafiam inocentes em celas imundas e prisões bárbaras e desprezam os pobres enquanto protegem seus pares muitas vezes corruptos e refestelam-se na luxúria e na soberba de suas ações insanas e cruéis! Alimentam seus egos com a prepotência e a presunção das mordomias que asseguraram a si mesmos, enquanto humilham e subjugam os indefesos. Muitos são fascistas ou nazistas, verdadeiros tiranos travestidos em roupagens democráticas, togados, ostentando uma oratória repleta de artigos da Constituição... Lobos vorazes em pele de cordeiro! Perseguidores implacáveis de seus desafetos, poucos imaginam a fera que se esconde embaixo de ternos caros e vestidos elegantes! Nemo censetur ignorare legem, “a ninguém é permitido ignorar a lei” mas são os próprios doutos que a desconhecem primeiro, cada vez que deixam nos presídios, cidadãos que, por desespero da vida, cometeram pequenos delitos como roubar uma lata de margarina ou pães de uma padaria, enquanto céleres libertam aqueles que se locupletam do erário público para construir suas mansões e seus castelos, a troco de propinas e favores.2

Os limites internos

A questão aqui se inicia com a discussão sobre o soberano estar sujeito a quais leis, já que “ninguém pode dar leis a si mesmo”,(primeiro limite) embora estejam submetidos a leis naturais e divinas, sem poder transgredi-las para não tornar-se culpado de lesa-majestade divina . Bobbio cita Bodin3 e outros autores absolutistas que disseram que os reis não estão submetidos apenas às leis naturais e divinas, mas também a leis positivas e consuetudinárias como a lei de sucessão do trono. “O rei que viola as leis naturais e divinas torna-se um tirano ex parte exercitii; o rei que viola as normas fundamentais é um usurpador, um tirano ex defectu tituli”(p. 98) (segundo limite). Distinguir monarquia régia de monarquia despótica é base para o terceiro limite, quando se percebe que o poder do rei não pode invadir o âmbito do direito privado , salvo motivada e justificada necessidade.
Está posto então um debate entre fautores, promotores da monarquia absoluta, como Bodin e Hobbes e os defensores da monarquia limitada ou moderada, como os escritores franceses “que apóiam as resistências dos estamentos contra o processo de concentração e centralização de todo o poder estatal nas mãos do rei”; como os ingleses, defensores da monarquia constitucional.

Para uns e para outros o poder do rei deve ser limitado não apenas pela existência de leis superiores que ninguém põe em discussão mas também pela existência de centros de poder legítimos de que são portadores as ordens ou os estados – o clero, a nobreza, as cidades -, com seus órgãos colegiados que pretendem ter direito de deliberação em determinadas matérias, como por exemplo a imposição fiscal.(p. 99)

Ao concluir sobre os limites internos, Bobbio faz menção ao “constitucionalismo”, teoria e prática dos limites do poder. Ele diz que o constitucionalismo encontra respaldo nas constituições que limitam formal e materialmente ao poder político, reconhecendo e protegendo os direitos fundamentais, erguerdo-se contra a pretensão e a presunção do rei de subjugar e submeter indivíduos e grupos à sua lei.
Marilena Chaui (2003, p 366) diz: “Os governados não podem depor nem matar o tirano, mas podem resistir a ele, buscando instrumentos legais que contestem sua autoridade, forçando-o a abdicar do poder. “ Segundo ela quando o direito subjetivo natural é violado, o governo se torna ilegítimo, o acordo de submissão deixa de ser válido e o rei deve abdicar do poder.

Os limites externos

O caso da invasão do Afeganistão pelos EUA, o caso da invasão do Iraque, com a prisão, “julgamento” e morte de seu governante Saddan Hussein, o caso do bloqueio à Cuba pelos EUA, são exemplos, compreende-se, em que houve limites externos colocados por outros Estados, no caso o Estado imperialista mais rico do mundo, sobre países comunistas ou “não-alinhados”, detentores de grande produção de petróleo, um dos minérios mais importantes da história contemporânea.

“Nenhum Estado está só. Todo Estado existe ao lado de outros Estados numa sociedade de Estados” (...) A soberania tem duas faces, uma voltada para o interior, outra para o exterior. Correspondentemente vai ao encontro de dois tipos de limites: os que derivam das relações entre governantes e governados e os que derivam das relações entre os Estados, e são os limites externos”(p.101)

Como nosso exemplo bem mostra, para Bobbio “quanto mais um Estado é forte e portanto sem limites no interior, mais é forte e portanto com menores limites no exterior”.(p.101) Se o Estado estiver vinculado a seus súditos, mais independente estará de outros Estados.

Enquanto o processo de dissolução do império representa uma redução de poder em favor de novos Estados, o processo de formação de um Estado maior a partir da união de Estados pequenos representa um reforço de poder do primeiro sobre os segundos: estes perdem em independência interna aquilo que ganham em força no exterior unindo-se a outros. (...) Somente através da união federativa a república, que durante séculos após o fim da república romana foi considerada uma forma de governo adequada aos pequenos Estados, pode tornar-se a forma de governo de um grande Estado como os Estados Unidos da América. (p.103)

E os Estados Unidos da América são, no mundo, um dos grandes Estados que impõem diuturnamente seus limites a todos os que possuem riquezas e bens que são dos seus interesses. Como diz Annie Leonard,em História das coisas:

“(...) Comecemos pelo governo. Meus amigos dizem que eu deveria usar um tanque para simbolizar o governo (e isso é uma realidade em muitos países) e cada vez também mais o nosso, afinal, mais de 50% dos nossos impostos vão para os militares. (...) Aonde eu vivo, nos Estados Unidos, resta-nos menos de 4% de nossa floresta original, 40% dos cursos de água estão impróprios para consumo , o nosso problema não é apenas estarmos usando demasiados recursos, mas o fato de estarmos utilizando mais do que a nossa parte. Temos 5% da população mundial, mas usamos 30% dos recursos mundiais. Se todos consumissem ao ritmo dos Estados Unidos, precisaríamos de três a cinco planetas e sabe uma coisa? Só temos um, então a resposta do meu país a essa limitação é simplesmente ir tomar dos outros4


Para Bobbio se esta tendência continuar, de formação de Estados ou constelações de Estados, como ALCA, União Européia, MERCOSUL, aumentará o poder de países como Estados Unidos e Inglaterra, que absorvirão Estados satélites e terão diminuídos seus limites esternos de superestado. “No caso em que se chegasse à formação do Estado universal, este teria apenas limites internos e não mais externos.

Pede-se licença concluir com palavras do próprio Bobbio em outro livro IGUALDADE E LIBERDADE (1997, P. 94):

A garantia dos Direitos do homem contra a violação perpetrada pelo próprio Estado que deveria protegê-los é uma resposta, em nível mais alto, à eterna pergunta: Quis custodiet custodia? (QUEM GUARDARÁ OS GUARDIÕES? grifo nosso)Toda nova tentativa de resposta a esta pergunta, ainda que imperfeita e incompleta, é – na medida em que propõe novas formas de controle e de poder – uma resposta a uma demanda de liberdade.

Maria de Lourdes da Silva, Especialista e Política educacional, licenciada em Filosofia e Acadêmica de Direito.


NOTAS


1 – Faculdade que a lei inglesa e norte americana concedia aos juízes de paz e aos xerifes de recrutarem as pessoas que julgassem necessárias para auxiliá-los na perseguição e aprisionamento de criminosos e traidores.
2– O texto foi colocado como citação porque o pensamento não pertence ao grupo, mas trata-se de um escrito publicado parcialmente no seguinte endereço virtual: http://www.agorapindorama.blogspot.com/ da acadêmica, que também é licenciada em Filosofia e especialista em Política e Planejamento Educacionais, pela UESC.
3 – ( nota nossa) http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Bodin acessado em 06 de novembro de 2009 - Jean Bodin (Angers, 1530 — Laon, 1596) foi um jurista francês, membro do Parlamento de Paris e professor de Direito em Toulouse. Ele é considerado por muitos o pai da Ciência Política devido a sua teoria sobre soberania. Baseou-se nesta mesma teoria para afirmar a legitimação do poder do homem sobre a mulher e da monarquia sobre a gerontocracia.
Ele escreveu diversos livros, mas a Inquisição condenou a muitos deles porque o autor demonstrou simpatia pelas teorias calvinistas. Estes calvinistas, chamados Huguenotes na França, eram processados pela Igreja católica assim como outras seitas protestantes ou reformadores cristãos o eram em outros países católicos.
Seus livros dividiram opiniões: alguns escritores franceses os admiravam, enquanto Francis Hutchinson foi seu detrator, criticando sua metodologia. As obras escritas por Bodin faziam diversas alusões a julgamentos de bruxos e o procedimento que deveria ser seguido, dando-lhe a reputação de um homem sanguinário.
4 - Licenciado Creative Commons 3.0 Written by - Annie Leonard Produced by - Free Range Studios Executive Producers - Christopher Herrera, Tides Foundation, Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption. Créditos da versão brasileira: Adaptação do texto - Denise Zepter Locução - Nina Garcia Direção e edição - Fábio Gavi Estúdios - Gavi New Track - SP
5 –BOBBIO, Norberto. Liberdade e Igualdade. tradução Nelson Coutinho 2 ed.Rio de janeiro: Ediouro, 1997, 96p.


REFERÊNCIAS



BOBBIO, Norberto. Estado, governo, Sociedade; tradução Marco Aurélio Nogueira. Brasília: Editora Paz e Terra, 7ª edição, 1995.

------------. Liberdade e Igualdade. tradução Nelson Coutinho 2 ed.Rio de janeiro: Ediouro, 1997, 96p.


CHAUI, Marilena, Convite à Filosofia. 13 ed, São Paulo: editora Ática, 2003 424 p


http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Bodin

LEONARD, Annie, História das coisas video Licenciado Creative Commons 3.0 Written by - Annie Leonard Produced by - Free Range Studios Executive Producers - Christopher Herrera, Tides Foundation, Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption. Créditos da versão brasileira: Adaptação do texto - Denise Zepter Locução - Nina Garcia Direção e edição - Fábio Gavi Estúdios - Gavi New Track – SP

PROUDHON, Pierre-Joseph. A propriedade é um roubo. L&PM Pocket. Porto Alegre. 2001. 172p. (p. 114-115). [15 de março de 2006]

SILVA, Maria de Lourdes da, http://www.agorapindorama.blogspot.com

THOREAU, Henry David. A desobediência Civil. Seleção, tradução, prefácio e notas José Paulo Paes. São Paulo: Editora Cultrix, 130p